O Lenço Dela

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Quando a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A meu doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.

Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrima enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.

Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido, porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto.


Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu, contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! Quando eu morra estendam o meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!

Autor: Álvares de Azevedo
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